Knowledge Based Portal
Título: O muro. Mesmo que já dele tivéssemos falado ou escrito Data: 14-11-2009
Fonte: SemMais Jornal Página(s): 4
Autor:  Valdemar Santos    C/ Foto | Cor 

Valdemar Santos*  
 
O muro. Mesmo que já dele tivéssemos falado ou escrito  
 
«- SR. ADDA, tenha cia», foi assim que faz hoje oito dias Sandra Benfica, da Direcção do Conselho Português para Paz e a Cooperação (CPPC), se dirigiu ao Representante da Frente Polisario em Portugal, Adda Brahim Hmeim.  
 
O enquadramento era a inauguração da exposição de fotografias «Olhar feminino sobre as mulheres do Sahara Ocidental» no Espaço Timor, em Lisboa. «Em todos os países, em todas as civilizações, as mulheres são a força vital para o avanço e o desenvolvimento da sociedade... e as mulheres sarauís não são excepção», reza o folheto ilustrado de belas fotografias obtidas na Páscoa passada quando uma caravana de solidariedade com os 150 mil refugiados do Deserto da Morte, a partir do qual estes travam o combate pela libertação do daquele território desde 1975, conduziu meia centena de portugueses a uma acção de protesto junto ao muro erguido pela potência colonizadora, Marrocos, nos tempos que correm pouco ou nada conhecido (por falta, por exemplo, da grande comunicação social, a soldo de...) tão somente, presume-se, por ter mais de 2 mil kilómetros de extensão, largo de dezenas de metros, recheado com milhões de minas e patrulhado a fogo intensamente. O texto que citamos é do MDM, Movimento Democrático de Mulheres, promotor da iniciativa.  
 
«Combatendo ao lado dos homens, defendendo acampamentos, ocupando lugares de decisão, protegendo as suas famílias, carregando os seus filhos, ajudando os mais idosos, deixando para trás todos os bens que possuíam e perdendo pelo deserto muitos familiares e companheiros, partilhando a injustiça de uma pátria roubada e a violência do país opressor», foi esta «caracterização» da mulher sarauí que inspirou alguma "irrequietude" de Sandra.  
 
"Irrequietude", aceite-se este termo, aquele que contextualiza e é contextualizado por esta(s) iniciativas) de mulheres portuguesas numa nova campanha de solidariedade que arrancou do CPPC, do MDM, da CGTP-IN, da Amnistia Internacional, da Voz do Operário e da FENPROF e que, no espaço de menos quinze dias, recolheu o apoio, nesta primeira fase, de mais de 130 organizações, associações e movimentos de opinião pela libertação de mais sete activistas patriotas detidos em Casablanca após o regresso de uma visita aos acampamentos do lado de lá e entregues a um Tribunal Militar marroquino que pode ditar-lhes a pena capital.  
 
Ali Salem Tamek. Brahim Dahan. Rachid Sghir. Nassiri Hamadi. Yehdih Terruzi. Saleh Loubeihi. Degja Lechgar. Outro nome: Sultana, jovem universitária. Os ocupantes tiraram-lhe friamente um olho com um pau munido de um prego enferrujado. Quando soube das nossas tão recentes acções, feliz, contactou Portugal, que visitou por convite do MDM há um ano. Mas acrescentando, hoje, que recrudesceu sobre ela a ameaça de lhe tirarem o segundo olho, para ficar cega. * militante do PCP  
 

Número Caracteres: 2903
Tradução Altavista Imprimir Imagem Fechar janela

 

netpress system - © manchete, 1996-2010 
Netpress e Manchete são marcas registadas da Manchete, SA. Desenvolvimento e actualização Manchete, SA.